quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sonhos de cristal invadem minha mente como se não existisse mais nada... deixo-me vaguear por esta torrente de bons odores e musicalidade com  que o ambiente que me rodeia foi presenteado... Fecho os olhos em meus sonhos acordada e consigo ver, quase consigo tocar... e sentir... Abro os olhos novamente e vejo-me onde sempre estive, aqui! Não me sinto só, solidão não significa estar sozinho, mas ser sozinho! E eu não me sinto só porque estou só, mas não sou só!
Apaziguo os medos da minha alma com um suspirar profundo e preparo a artilharia para a guerra que se segue, mais uma...
Não gosto de momentos de transição mas quando começo a pensar, todos os momentos são de transição, um momento das nossas vidas está sempre entre outros dois momentos e, portanto, cada momento é de transição do anterior para o próximo, só não damos conta disso na maior parte das vezes. Momentos como o que estou a viver tornam-se proeminentes porque são claramente de transição, o deixar de fazer uma coisa e estar a espera de começar a fazer outra. É como a pausa no meio das refeições. Mas não gosto de momentos de transição, não gosto de naão saber o que me aguarda, não gosto de estar expectante. Procuro não entrar em pânico à medida que o tempo passa refugiando-me nas palavras, nos sonhos, na imagnação. Mas sei, sei que não caminho sozinha, caminho de mão dada com o meu porto de abrigo, caminho direcção do nascer do sol e olho em frente.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Adeus


Heis-me chegada a esta fase da minha vida, fase a que qualquer praça que não pretende ou não conseguiu entrar no quadro chega, a despedida. No meu caso aconteceu os dois, primeiro não consegui por razões que foram alheias, e os que me são próximos conhecem a história das injustiças desta instituição, e depois já não quis ficar... quis a vida mostrar-me que haverá mais para além disto. Não deixa no entanto de ser penoso despedir-me, não da farda, mas das pessoas com quem trabalhei ao longo de 6 anos...
Está agora a fazer 6 anos que cá cheguei, acabadinha de sair da Ota, 2º cabo, dia 17 de Novembro de 2003... fui colocada no D.P.P. onde estive um ano, depois passei mesmo para a secretaria da Esquadra... Aqui passei os ultimos 5 anos da minha vida, aqui aprendi, ensinei, sofri, ri, cresci enquanto militar, enquanto profissional e enquanto mulher. Aqui foi a minha segunda casa, às vezes primeira, aqui partilhei alegrias e tristezas com as amizades que fiz, levo no coração a lembrança de quem sempre me apoiou, de quem não me apoiou não guardo rancor.
Levo na lembrança tudo o que de bom passei nesta Esquadra, conhecida como a Esquadra de melhor ambiente da Base Aérea nº 11, as surpresas que tive, umas delas foi este quadro que me foi oferecido no meu jantar de despedida, outra foi o louvor que recebi no ano passado, do antigo Comandante de Esquadra...
É com alguma angústia que deixo a Força Aérea para enfrentar o mundo lá fora, angústia e receio, toda a gente tem medo da mudança.
Despeço-me então com uma lágrima no canto do olho desta Esquadra que é feita de pessoas humanas e generoras...
Adeus Esquadra 552 e que mais uma vez se faça ouvir a música da Esquadra que ao fim de 6 anos, finalmente, consegui decorar...

Lá vai a malta dos helicópteros
Lá vai a malta toda contente
À garraiada, à cachimbada
Haja bebida para toda a gente

E quando passam os helicópteros
Deixam no ar um tom de festa
Belas rapadas, grandes missões
Não há na FAP uma Esquadra como esta!


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Perfeição

Olho-te na noite e vejo-te em ti... desiludes-te com a vida porque buscas uma perfeição que não existe... Procuras que tudo seja perfeito, que o momento seja perfeito, que as pessoas sejam perfeitas, e que não hajam problemas para manchar essa tua bolha de perfeição... queres que tudo aconteça da unica maneira que não pode acontecer... sem falhas... sem erros... e desiludes-te contigo porque não aceitas menos do que isso... e culpas-te por não conseguires o que mais ninguém consegue, transformar o mundo num lugar em que a felicidade é constante, e que as lágrimas não caem dos olhares apaixonados...
Perfeição? Na verdadeira acepção da palavra, não existe... não há nada no mundo que não tenha um defeito, por mais ínfimo que seja... Perfeição é como o vazio... desprovido de essência, de matéria, o vazio seria perfeito, não fosse ele a maior imperfeição que existe... é perfeito no que o constitui, mas será que o nada é perfeito? o nada é a ausência de qualquer coisa, ausencia significa falta, falta é uma falha, uma imperfeição... pois se nem o vazio é perfeito, onde é que existe perfeição afinal?
Queres saber o que é perfeição para mim?
A perfeição reside naquele abraço dado no momento certo, na sincronia com que os nossos corpos se unem ao mesmo tempo que os nossos olhares se cruzam... perfeição está naquela lágrima que cai de saudade... perfeição está naquela mensagem que chega ao meu telemóvel nos momentos mais imperfeitos da minha vida, e que os tornam menos imperfeitos...
Queres saber onde é que está a perfeição para mim?
Está no facto de ter a capacidade de dizer: "eu amo-te" e ser verdade.
Está no facto de receber como resposta: "eu também te amo" e ser verdade também!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Um sorriso e uma flor

Bates-me a porta, noite cerrada, uma flor escondida para te desculpares! Estava zangada, mas zanga alguma poderá ser mantida depois de um abraço, uma flor e um "desculpa"... sou assim, perdoo-te num abrir e fechar de olhos, e esqueço todas as palavras duras e algumas injustas até que te disse... esqueço o que já não me dói, e ter-te à minha porta apaga a dor da tua ausencia forçada, não era preciso a flor, bastavas apenas tu... A chuva cai lá fora, mas cá dentro faz sol em cada gargalhada sincera... Meus olhos brilham quando olho para ti e sei... Apertas-me em teus braços e sinto-me em casa...

sábado, 10 de outubro de 2009

Still fighting... always fighting!

You came into my life like a shadow, not asking for anything... everything started with a friendship, none os us knew what was about to come, we couldn't know... how could we gess? The months started to go by and everything rushed into us like a sudden storm... there wasn't right or worng... it was just us... the rest of the world didn't exist... we started to fight like true worriors... and we still didn't have a clue of what was yet to come... we strugled so much throughout these months, it looks like a life time! First I fought for you... months later I almost gave up of you... you weren't fighting... you were just waitting... but then you fought for me like a lion... I sow you fighting like no one has ever fought for me... Now... we're going through hell... I have had the best moments of my life with you... but there cannot be one without the other, and I also had the worst moments of my life with you... I'm sorry, I'm trully sorry I got us into this... I'll get us out... you will believe me, somehow, someday you will... until then, we'll keep fighting side by side... the one thing I've learn with you is that giving up is not an option... we can't, we aren't able to... I can't let go, and you said to me that neither do you! We love each other more than we could ever imagine... we love each other too much to have that option... we have no choice... but to fight, together, aginst the rest of the world.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

you're the one

I wake up in the morning still feeling your goodnight kiss in my lips, but is still morning and the night is still so far. Every second I spend without feeling you close is an eternity. I wake up everyday with you in my thoughts, reminding the way you look at me, almost feeling your touch as the memory crosses my mind... You're the one, no doubt of that... I still hear your voice in a whisper in my ear, telling me how much you love me, telling me what your eyes see in me, making me feel the most beautiful girl in the face of earth... I cannot put in words... You have no idea of the way you changed my doomed life, you can't possibly know what you've awaken in me... You have no idea of who you really are... you're the one and only true love!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Incógnita

Abro os olhos na minha madrugada e acordo do meu sonho de cristal... permanece ainda em minha mente o calor do sol que brilhou em minha noite... abro os olhos... acordo de um sonho real e questiono as quatro paredes que o abrigaram se ele chegou a existir... procuro nos recantos do ar que me rodeia a presença do que sonhei, e sei... sei que não foi um sonho, foi real... vejo nas coisas um brilho diferente, como se as coisas tivessem de alguma forma mudado... as pedras da calçada que não se alteram sob o peso dos meus passos brilham como se fossem pequenas estrelas cravadas no chão, outrora tão banal... as paredes nuas das casas... parecem mais firmas, mais sólidas... tudo o que antes passaria despercebido porque sempre ali esteve se torna, se transforma... não é o mundo que muda, mas os olhos através dos quais ele é visto... permanecem ainda em minha mente as dúvidas e o receio de estar a sonhar... Aqui estarei para descobrir....

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Insónia


As palavras ferem como facas, e entoam em minha mente como se eu continuasse a ser o alvo rodopiante constantemente atingido... enquanto a madrugada avançava, eu apagava lentamente as memórias de sorrisos, substuindo-as por palavras ditas com rancor... pela manhã um pedido de desculpas não apaga estas palavras atiradas para o ar com o propósito de ferir... Acordo da minha noite agitada com o toque do telefone e não sei o que esperar quando atendo... o sol nao pode brilhar sempre... la há dias em que o céu se cobre de nuvens... procuro na voz que me fala do outro lado do telefone algum sinal, no bom dia que me diz, algo que me diga se a tempestade ainda está para explodir... "em primeiro lugar, desculpa..." e a sombra foge, mas fica no caminho o rasto do vento forte que acabou de passar... mais virão... vou sempre desculpar...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vitória

O meu dia hoje não começou bem, para variar não ouvi nenhum dos 3 despertadores... como se isso não chegasse agora ainda há a porcaria da cerimónia de brevetamento... e tu não estás cá... surpreendo-me ainda quando me apercebo da tua ausência em tantas circunstâncias onde antes se calhar nem me apercebia da tua presença... já era um habito tão grande estar formada ao teu lado, eu a primeira, tu a segunda... por causa do tamanho... aquele lugar nas formaturas sempre foi meu, e o teu sempre foi ao meu lado... já estava tão habituada a queixar-me da vida ali ao teu lado, ou a dizer piadas, ou a briga com os mosquitos que parece que no meio de tanta gente é sempre comigo ou contigo que vão ter, precisamente naqueles momentos em que estamos em sentido e não é suposto mesmo mexer...até já estava habituada a levar pontapés teus quando íamos a marchar... fizeste-me falta hoje, sim, porque apesar de eu ser um dos todos os dois reservas que estiveram hoje no treino, havia um pelotão de imensas 9 pessoas (3 eram sargentos), e lá fui marchar... porque sou parva, porque o capitão não me viu, e pensou que só tivesse um reserva, eu é que me cheguei a frente, e na minha vozinha grite, estou aqui eu... e lá fui levantar a arma... e como tenho tanta sorte, calhou-me mesmo aquela que encrava... é que agora lembraram-se de voltar a fazer os procedimentos de segurança... o que vale é que o aspirante (não sei quem é, nunca o tinha visto), pegou na minha arma para fazer os procedimentos e eu fiquei a olhar... fiquei a ver enquanto ele batia com a arma no chão para puxar a culatra atrás, foi giro... mas faltavas lá tu para gozar... ou no treino, se lá estivesses, tínhamos rido tanto... o comandante da esquadra de pessoal já não é aquela anta que nos lixou no ano passado quando concorremos à academia... não houve tanta complicação... só que quem estava com o guião do que se vai passar no dia da cerimónia estava um pouco atrapalhado, acho que o homem deve ser disfónico, ou qualquer coisa parecida... se bem que não era mal pensado que fosse ele e não o capelão a fazer a benção dos brevês.. "ter asas... voar... poder mais perto de Deus...", esta parte eu ainda oiço, depois começo a sonhar com a praia, ou com a minha cama, ou qualquer coisa do género para me esquecer das dores que já tenho nos joelhos... enfim... pode ser que ainda me escape e fique mesmo só como reserva porque hoje houve muito pessoal dispensado por causa de ter ido dar sangue... eu como peso menos de 50 Kg, não posso... enfim... faltas-te lá tu, mais uma vez tive a confirmação de que esta base está muito mais vazia sem ti.
Mas pensei em ti, e lembrei-me que não me podia ir embora sem ir ver se tinhas conseguido entrar para a academia ou não... Mana! Quase que me vieram as lágrimas aos olhos quando vi lá o teu nome, ainda por cima para TMAEQ, é que não só entraste, como também entraste para a unica vaga que havia para a tua especialidade... não imaginas o que fico feliz por ti! Depois da tua vida ter sofrido uma derrocada, tudo acaba por se compor... é uma vitória merecida mana... e a Força Aérea fica a ganhar, sem sombra de dúvidas... e tu, olha... ganhas mais uma licenciatura... fiquei com pena de apesar de todos os meus esforços, não ter sido a primeira a dar-te a notícia... ainda tive esperança quando cheguei ao pé do telemóvel depois de ter entregue a arma e vi a tua mensagem desesperada, por não saberes nada! Depois não atendias, assim que vi que tinhas entrado fui a correr até ao carro, corri o mais depressa que pude, para te contar, para te dizer... Ambas sabemos que agora vai ser complicado, tens três anos de trabalho árduo pela frente, mas tu nunca te assustaste com o trabalho... Tenho pena de não te acompanhar nessa tua nova etapa... mas há alturas em que temos de fazer opções...não sei se me arrependerei um dia, mas neste momento, apesar de o meu futuro estar um pouco desfocado, sei que não é continuar a vestir uma farda que eu quero... estou cansada destas botas... estou cansada, e já não sei responder "sim senhor"... ja refilo por tudo e por nada, já tudo nestas pessoas, nesta instituição me irrita... no ano passado estava mentalizada para tudo isso... estava a fugir... mas agora... agora não tenho mais porque fugir!
Estou feliz por ti mana, e sempre acreditei que conseguias, ainda ontem te disse que era futura cadete! Porque é que tu nunca ligas ao que te digo?
Adoro-te irmã! Força e coragem... sabes que estou aqui quando te quiseres queixar da academia, ou deste ou daquele instrutor! Boa Sorte!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Amanhecer...

Abro os olhos na manhã incerta, na incerteza do amanhã... olho demasiado em frente à procura de respostas que quero já, e esqueço-me de olhar a minha volta, esqueço-me do presente... do meu presente... olho para todos os lados menos para o que me segura os pés firmes em terra sólida... perco-me num rodopiar de pensamentos, rascunhos de planos mal definidos, cego perante a vastidão de pontos de interrogação... e sinto-me só, quando na verdade não estou... quando na verdade não sou! O que seria de mim se não houvesse quem me encontrasse? Se não houvesse quem me arrancasse aos momentos de sofreguidão por certezas? Se não houvesse quem me dissesse: "vai correr tudo bem"? Quem seria eu se me tivesse já perdido no meio de tantas perguntas que insisto em fazer? Parece que nada nunca é suficiente, não paro! Constantemente insatisfeita, constantemente a procura de respostas... e acabo por descurar o que é realmente importante... Perdoa-me!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Para ti



A chuva cai em teu olhar, como se apenas em ti pudesse chover... palavras gastas... também é apenas o que tenho para te dar e quem me dera ter mais... quem me dera poder pegar-te na mão e levar-te aquele sitio da tua alma em que possas finalmente dormir... quem me dera ser um anjo para ti, para poder tocar-te e com meu toque arrancar de ti toda a dor que reside em teu coração... admiro-te irmã... ninguém que eu conheça aguenta tanto de uma vez como tu... poderás dizer-me que te sentes fraca e que não aguentas, mas o que eu vejo é uma mulher que pensa que caiu mas que se mantém de pé e a lutar contra a vaga de catástrofes naturais com que foi assolada de uma vez só... quem me dera... poder pegar-te na mão e trepar contigo esta montanha íngreme... quem me dera que o facto de eu sentir dor pela tua dor te aliviasse o fardo que carregas ao ombros... o peso do mundo... Queria poder curar o teu pai, estalar os dedos e fazer com que o tempo passasse para que pudesses curar as tuas feridas do coração e para te arrancar a esse suplício para onde as tuas escolhas profissionais te lançaram... queria poder ser para ti o que foste e és para mim, queria não ter estado de serviço no sábado... teria ido ter contigo sem pensar duas vezes... (nao garanto que ainda tivesse chegado no sábado... já conheces o meu sentido de orientação) mas teria feito tudo para aliviar essa tua cruz, nem que fosse apenas por momentos...
Olho para trás... tempos idos que não voltam.. Lembras-te deste dia?
Os teus 23 anos... há quanto tempo? Não me lembro se és mais nova que eu um ou dois anos, portanto, ou foi há 2 ou 3 anos... parece que foi noutra vida... recordo com saudade de dias como este e enchem-se meus olhos de lágrimas quando me apercebo que foram dias que não voltam mais e que as nossas vidas seguiram caminhos separados... dói-me porque sei que não poderás ligar-me para ir ter contigo só para chorares no meu ombro... da mesma forma que também eu não o poderei fazer... dói-me que neste momento não o possas fazer porque sei que onde estás, ninguém te compreende como eu te compreendo. Queria... queria poder pegar-te na mão, agora que estás meio cega, meio perdida, e guiar-te através dessa escuridão que te rodeia... guiar-te até te trazer um pouco de luz, um pouco de paz... até poderes acreditar...
Adoro-te mana! Nunca estarás sozinha... de mãos dadas...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um dia qualquer em 1995














É como se eu não fosse de cá
Tivesse nascido do nada
Num universo longínquo
Sem estrelas, sem sol...
Apenas um planeta gigante
Que nem sequer é redondo
E tudo o que nele existe
São cores mortas, cores tristes!
Onde não existem árvores
Nem mar, ném pássaros...
E que eu tivesse nascido nele
Por ele ser inútil
Para eu ser inutil também...
Esse planeta
Onde sinto que nasci
E que nao existe, mas existe
Porque é nele que vivo
E ele vive em mim...
Porque alguém lhe dá vida,
Alguém deu vida à sua morte
Que é apenas a realidade de alguém.
Onde as palavras, que não existem,
Se contradizem mutuamente, sem falar
E que parece que está longe
Mas não está!
Está mesmo aqui
E é nele que vivo.
É complicado perceber
Mas é uma simples questão
E não é só uma mão
Uma simples mão
Que escreve esta infinidade
De palavras sem sentido
É um coração sozinho, perdido!
Abandonado num planta plano
Sem contos de fadas
Sem uma história para contar
De geração em geração
Porque isso é coisa que nem sequer existe...
Um planeta onde não existe cor,
Nem luz!...
Existe apenas...
... apenas...
... apenas a monotonia da escuridão!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

As lágrimas que caem de meus olhos secarão... o caminho tornar-se-á escuridão novamente e perder-me-ei... agarrada a sonhos destroçados, a porquês sem resposta... continuo um caminho que não é meu, porque já nem sequer caminho é... perco-me novamente... alguma vez me encontrei? E olho para trás e não vejo, não sinto... não sou de verdade... Sou sombra que vagueia por um mundo onde nunca pertenceu, para que cá vim? O que faço aqui? Permaneço ainda sem assumir uma derrota, braços cansados, caídos mas ainda empunhando armas porque não me dou por vencida! Sabia que teria de ser assim... sabia, sempre soube que tenho de lutar por mim... e por ti! Tenho de lutar pela minha sanidade... e pela tua... Sofrega carrego o peso de duas cruzes... não me queixo, apenas não consigo conter as lágrimas de dor! Procurarei sempre uma saída... tu sabes que sim.... não te percas como um dia estive perdida... não terás força para te encontrares sozinho... eu não tive!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mana

Estou aqui, embora às vezes não pareça... estou aqui mana, para ti como estás para mim... perdemos-nos as duas em sincronia e encontramos-nos também uma na outra... a vida tem sido demasiado cruel com as duas... ao menos isso temos em comum... estou constantemente a precisar da tua serenidade, estás constantemente a precisar do meu colo, pensamos as duas que estamos constantemente a seguir caminhos errados, mas até um relógio parado está certo duas vezes por dia. Preciso do teu abraço, não sabes a falta que me fazes... Os nossos caminhos cruzaram-se um dia, em Vila Franca... a 11 de Maio de 2003, o dia antes de eu entrar para a recruta... e partiste agora, sei que não me deixas sozinha, da mesma maneira que não partes sozinha, mas falta-me a tua presença, porque às vezes sinto que me vou perder tanto ou mais do que já estive, e foste tu quem me agarrou a ponta dos dedos quando eu já ia em queda no abismo, e vivo constantemente no limiar de cair... Sei que também não estás bem, sei que tens os problemas todos da tua família, depois a vida que escolheste para ti não tem sido fácil, sabias que não ia ser, mas uma coisa é saber, a outra é viver... e por momentos gostava de ter concorrido também, de ter entrado para te acompanhar... Não sabes o que me doeu a mensagem que me mandaste há bocado a dizer que tinhas pena de eu não concorrer ao CBT para irmos juntas... pode ser que agora consigas, eu acredito que consegues, ninguém pode ter tanto azar duas vezes... acho que fui eu que te dei azar, eu por mim já tenho de sobra portanto, às vezes partilho sem querer (risos)... ao menos o 18 a Matemática sempre me serviu para ir para a faculdade, embora ainda não consiga ver de que maneira é que isso foi benéfico para mim... Estou com um discurso um bocado desconexo...já sabes como sou... tenho saudades tuas mana... e não te esqueças que ainda cá tens de vir buscar a biciclete...
Gostava de ter também uma foto nossa, mas todas as que tiramos foram com a tua máquina e tu nunca mas passaste. :b

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

12 de Maio de 2002

Jazem-me aos pés
As luzes desmaiadas
Aquelas que brilhavam outrora
E agora se escondem, se apagam
Me envolvem em intensa escuridão
Sangram na noite
Cantando suavemente
A dor e a angústia que as envolve
Dizem-me adeus tristemente
A partem lentamente
Cada vez mais desvanecidas
Elas eram duras, as luzes
Mas sentem-se enfraquecidas
E enfrentam a solidão
Com uma expressão serena no olhar
Tentando não chorar
Largando-me suavemente
Afastando-se severamente
E nunca mais vão voltar!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Olho à minha volta e já não me revejo nas minhas palavras, momentos vazios... Páro, escuto e olho mas não consigo encontrar... eu não procuro respostas porque sei que nunca as terei, procuro uma saida de mim... não quero regressar ao meu tumulo, não quero enterrar sonhos que sonhei... estou sempre acordada... nao quero deixar de ser a menina que tem ilusões e que consegue sempre passar por cima das desilusões e dar mais um passo em frente, mesmo sem saber para onde vai... Grito de revolta e raiva comigo mesma porque pensei que não voltaria a morrer e não sei se fui eu que me matei ou o mundo, não sei se ainda há esperança de eu voltar a respirar ou se é apenas a minha alma que ainda vagueia por cima do meu corpo e tem medo de partir...

Quero gritar, quebrar as correntes que me prendem, o gelo que se acumula em meu coração e não me deixa sentir, nem que seja dor! Não quero ser assim... fria, insensível... não quero ser este não eu que voltou e não quer partir... Não quero mas não consigo...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Não sei

Acordada... procuro nas minhas noites de insónia respostas que se perderam. Acordo da minha noite acordada e não vejo os raios de sol porque me perdi. Não sei, é a resposta para todas as perguntas que me fazem sobre mim... Não sei! E detesto não saber... sobressalto-me com o silencio das palavras que o vento não grita e procuro noutros olhares a sabedoria que não existe em mim, e continuo sem saber...
As lágrimas secam mais uma vez, o leito do meu rio torna a secar,e eu caio em vazio desmedido porque não sei... não me sei libertar das amarras que me prendem a tamanha escuridão, não sei procurar mais... não acredito mas sou incapaz de negar... e mantenho-me assim, num estado de esterna incerteza... espectativa oscilante...
Percorro as paredes que me tentam embalar, procurando a minha sombra que não existe mais porque a alma volta a cair...
Porquê?

terça-feira, 21 de julho de 2009

A verdadeira amizade

Hoje vi o sol nascer... Não por opção... quer dizer, a partir de determinada altura passou a ser por opção porque já nao valia a pena tentar dormir... e tu estiveste comigo... mandei-te aquela sms, não demorou um segundo para me ligares... nao pensei que fosses acordar, dormi muitas noites no mesmo quarto contigo para perceber que ás vezes eu acordava com o teu telemóvel... tu não! Hoje vi o sol nascer mas não o vi sozinha, fumaste um cigarro comigo, embora à distancia... estiveste lá! Quantas pessoas podem dizer que tem amigos assim? Que gastam o saldo todo do telefone, ou quase todo, só para não deixarem os amigos sós? Quantas pessoas podem dizer que mandaram uma mensagem a um amigo, simplesmente porque precisavam de falar, as 5:45 da manhã, e que esse amigo lhes ligou de volta, e que esteve uma hora e meia ao telefone, apenas para garantir que eu ficasse bem... quantas pessoas? E eu maldigo a minha sorte? Quão ingrata posso ser? Mas depois há o reverso da medalha, há todo um mundo inteiro que se vira contra nós, e não entendemos porquê! Há todo um mundo inteiro que nos odeia simplesmente porque existimos, e isso não faz sentido na minha cabeça... passo a vida a querer abrir os olhos aos outros, passo a vida a querer mostrar aos outros que a realidade da vida, é bem mais cruel do que alguma vez que alguma vez pudemos supor em crianças, acho que uma parte de mim ainda o é, porque uma parte de mim quer acreditar... mas a verdade é que raramente os conselhos que damos aos outros servem a nós mesmos... será da natureza humana, ou sou apenas eu?
Ligaste-me de madrugada... primeiro confusa... depois... bem... depois enraivecida... mas tu és assim... consegues ser tão bruta a dizer as coisas, não te levo a mal, sei que nunca me julgarias, mas percebo a tua revolta... estaria igual numa troca de lugares... és uma amiga verdadeira...
Nunca pensei voltar a contar uma história desta maneira, não tão distante de mim própria... é aquela sensação... mas qual sensação? não há sensação alguma, pura e simplesmente falei de mim como se estivesse a falar de outra pessoa qualquer... Conseguiste fazer-me rir...
No meio de tudo continuo a ter a confirmação que tenho um dos bens mais preciosos que se pode encontrar a face da terra... tenho a verdadeira amizade... não é aquela em que os "amigos" dão palmadinhas nas costas e dizem que vai correr tudo bem... não é... dizes sim, mas apenas nas alturas certas... tenho aquela amizade em que mando uma sms as 6 da manha e recebo um telefonema logo a seguir... tenho daquelas amizades que me gritam aos ouvidos que eu me deixo pisar.... tenho daquelas amizades que sei que nunca passarei frio no Inverno... mesmo que tenhas tu de passar... não sei como vou atravessar este dia de trabalho, a verdade é que estou tão cansada dos ultimos dias que nem consegui dormir... por agora ainda tenho concentração e não tenho sono... estou racional... desprovida de amoçoes o que é bom, ao menos não me toldam o pensamento... mas fica descansa, que eu vou dormir duas horitas ao quarto antes de me meter no carro para ir para casa... está tudo bem... hoje é terça feira, um dos piores dias da semana, quer dizer, costuma ser mesmo o pior... não sei bem porque... mas normalmente é o dia que há mais volume de trabalho... pode ser que assim ocupe a cabeça, se este estado de passividade entretanto me passar... se ele não for permanente... se ele não for... pode ser que não seja...mas sinceramente não sei se quero que ele passe... neste momento não sei se quero... ao menos estou calma, não sou assaltada por crises de ansiedade, nem com problemas de concentração... apenas não consegui dormir... apenas isso. Queria poder-te mostrar que faria o mesmo por ti, mas acho que tu sabes isso... ainda assim, foram mais as vezes que te acordei de madrugada do que tu a mim... Adoro-te mana do meu coração... apesar de ires embora, sei que nunca me deixarás sozinha e isso é uma benção para mim... bem, já são 7:40, vou tomar banho para ver se consido sair deste estado de torpor... mas tal como te disse ao telefone, até é uma boa tecnica para não chegar atrasada... não dormir... normalmente atraso-me por não acordar... foi uma piada seca, nem eu me estou a rir da minha propria piada...

Porquê?

Queria perceber o porque de haver pessoas tão más que só estão bem a fazer mal aos outros? E queria perceber o porquê de eu não ver isso nas pessoas, de não esperar isso das pessoas... as vezes sou tão ingénua que não vejo o que está a frente dos meus olhos...
Todas as minhas são em função daquilo em que acredito, e no fundo eu não acredito que as pessoas são más, ou têm más intenções... as vezes não entedemos as atitudes dos outros porque não fariamos assim, comigo acontece frequentemente... aprendi a ser um pouco tolerante e a deixar um espaço para que as pessoas sejam livres de ser quem são, e de ter as suas proprias atitudes, tentando não as julgar só porque não compreendo... ás vezes peco por ser tão crédula, por não ver maldade... sempre fui assim... e há quem consiga atingir-me pegando nisso mesmo, na minha falta de discernimento para perceber quando os outros só querem destruir o que tem sido construido com todo o esforço do mundo... Odeio ser assim! E odeio quem se aproveita disso para me tirar o que me resta! Custa-me acreditar que tanto luta, tanto esforço, tanto sofrimento, tenha sido em vão, tudo o que se foi construindo a custa de tudo o que tinha de mim, é levado assim pelo vento, por palavra que eu não vi serem maldosas... custa-me... custa-me a vida renascida em mim... e custa-me que as pessoas que me querem mal vençam, quando não merecem vencer... dói-me a alma que me abandona novamente, só que desta vez...não vai voltar!


Para todos os que agora gritam vitória.... hão-de pagar...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Aqui

Sentada a olhar para uma foto de tempos idos, parece que foi há séculos, mas foi apenas há uma semana... olho a felicidade presente naquele sorriso sincero e não percebo... como é que pudeste pensar que ela seria tão efémera que só existiria naquele momento congelado numa fotografia? Como pudeste largar assim a esperança e desistir? Deixaste de acreditar em ti, não sei se alguma vez acreditaste. A vida danificou-te tanto que deixaste de sentir que merecias a tua própria confiança... Dói-me que desistas assim de ti, só porque não sabes o dia de amanhã... dói-me que me digas que não sabes lutar, quando na verdade, nem sequer tentaste! Dói-me que aceites a derrota antes da guerra começar... dói-me que estejas tão infeliz só porque não sabes se vais conseguir ser feliz... Eu acredto em ti... Eu acredito que o dia de amanhã será bem mais iluminado do que os dias que passaram... porque todos nós seremos compensados pela vida... a vida parece não ser justa... E na verdade, a médio prazo, não é!... Mas acabará por sê-lo a longo prazo...
Eu sei que o nevoeiro é denso agora, e que apenas vês as dificuldades... estás-te a esquecer de olhar a tua volta porque nem todas as saídas estão à frente dos nossos olhos, às vezes temos apenas de continuar a andar, com paciencia e preserverança, acreditando sempre que a saída existe... porque ele existe mesmo, só não está a vista... mas está lá... para ser encontrada na altura certa, na altura em que estivermos preparados, na altura em que a merecemos realmente...
Acreditas-te fraco, conbarde, sem valor... as palavras "não consigo" saem dos teus lábios como o refrão de uma música... Estás tão engando, estás tão cego em relação a ti mesmo que não percebes, não sabes... Quem me dera poder dar-te um pouco da minha fé em ti! Quem me dera poder mostrar-te a ti próprio através dos meus olhos... talvez assim soubesses... talvez assim te conhecesses...

sábado, 18 de julho de 2009

Nostalgia

Hoje fui ver uma peça de teatro... Não foi o facto de ver a peça que me tornou nostálgica...
Eu explico: Eu estudei na Golegã até ao 10º ano. Quando andava na primária, eramos apenas crianças da terra, só que existe uma aldeia, a Azinhaga, 0que faz parte da Freguesia da Golegã que não tem aquilo que naquela altura se chamava o "ciclo", então os miúdos de lá, quando passavam para o dito ciclo, vinham estudar para cá...
Cheguei lá, com a minha irmã, e dou de caras com uma rapariga que, com a inocencia de idades tenras, apelidei de amiga... Era uma rapariga que, de uma forma ou de outra, contribuiu para o que sou hoje... Lembro-me de na altura gozarem comigo, sempre fui pequena e demorei a desenvolver do corpo de criança para o corpo de mulher... Hoje olho para ela, e tenho pena de ter alguma vez desejado ser como ela... Primeiro porque vi reconhecimento no seu olhar, logo seguido de um virar a cara de quem finge descaradamente que não me conhece... Será que custa dizer olá? Um simples aceno de cabeça? Vejo-a com um filho nos braços, com o 9º ano de escolaridade, conformada com a vida que escolheram para ela, porque não poderia ser mais, e pergunto-me: será possivel ela ter sido invadida pelos mesmos pensamentos que eu? Que se esteja a lembrar de como, depois de uma aula de educação física, reparou na minha vergonha ao despir-me, e por se achar tão agradável à vista, se sentiu no direito de me humilhar porque eu era lisa como uma tábua, aos 13 anos? Porque na altura se achava sábia e dona do mundo, porque a beleza abre muitas portas, infelizmente é realmente assim que o nosso mundo funciona. A unica coisa que posso pensar é que por estar com mais cerca de 30 kgs do que tinha na altura, se tenha lembrado dessa mesma situação e tenha tido vergonha, e tenha percebido como me senti, tão, mas tão inferior... Entristece-me que as pessoas sejam tão mediocres, e que se rejam por princípios tão superficiais, tão desprovidos de conteúdo...
A verdade é que não fui ali para me vingar, nem me sinto bem por fazer as pessoas sentirem o mesmo que me fizeram sentir a mim, mas a vida acaba realmente por ser justa mais cedo ou mais tarde, e cada um paga pelo mal que faz aos outros.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Tupida

Olá, estou a escrever outra vez para ti, minha parva! Deixaste-me sem televisão. grrrr. Mas olhando ao que deixaste nos comentários e respodendo-te... eu realmente não estava minimamente preocupada com o que me esperava na recruta, estava expectante, preocupada não... chateou-te da mesma maneira que chateou as minhas camaradas de recruta, o espírito com que fui para ali... eu estive dois anos a morar a 5 kms de ti e nunca te conheci enquanto lá estive, esses dois anos foram complicados para mim. Fui para lá com 19 anos, morar sozinha, não conhecia ninguém, estava a dar formação numa escola pública mas continuava sozinha, os outros eram professores a sério, mas eu... eu estava a dar a cara por uma empresa que não valia nada, que fazia publicidade enganosa, e que enganou muita gente. Os cursos eram pagos, evidentemente, e não eram baratos, muitas pessoas ficarama arder, dos clientes e dos empregados. A mim ficaram-me a dever perto de 500 contos em ordenados e subsidio de férias. Mas tudo isto para quê? Apenas para te explicar porque é que estava tão descontraída. Quando fui para a recruta, não fui sozinha, havia mais gente, eu não estava sozinha, estavamos todos para o mesmo, podiamos apoiar-nos mutuamente, ou podia eu apoiar toda a gente, como vim mais tarde a descobrir por mim própria. O meu problema não está em adaptar-me, adapto-me muito bem a novas situações, apenas tenho um senão, não me consigo adaptar a solidão... Mas ali estava eu, frequinha para entrar para a recruta. Tinha uma certe noção do que me esperava, saber... saber só sabemos depois de passar pelas coisas... é claro que não estava a espera de andar logo desde o segundo dia de recruta a descer escadas de costas de tantas dores que tinha nas pernas, até porque no primeiro dia nem houve exercício físico nem nada, apenas estivemos duas horas formados ao pé da messe, porque iamos fazer xixi para o copo no andar de cima... mas foram duas horas que me deram logo cabo dos joelhos...
O espírito com que para lá entrei, foi o espírito que mantive até ao fim... a maneira mais facil de ultrapassar momentos dificeis na nossa vida é levar as coisas com leveza... Foi precisamente isso que fiz, tentei fazer tudo o que me mandavam, só não fiz o que não consegui, mas ninguém me ouvia queixar... engraçado, lembro-me como se fosse hoje... houve uma rapariga do meu pelotão, ele era SS, foi-se logo embora a seguir a recruta, para o Lumiar, nao me lembro bem, mas penso que o nome dela era Ferreira. Ela chegou só no dia a seguir ao primeiro dia de recruta, e à hora de almoço, já estava a chorar... lembro-me tão bem dos olhos dela, vermelhos, e de olhar para mim e perguntar: "voçes gostam disto?", ela era filha de um ajudante, pensei que deveria ter uma noção do que era a tropa... mas não tinha, e estava desesperada. Ela era uma das duas que ao Domingo a noite já estava agarrada ao telemóvel a chorar que se queria ir embora, acho que eu na altura era um pouco inconsciente, mas não podia evitar entrar na camarata a rir. Falei nela por uma coisa. Ela não gostava muito de mim, apesar de eu andar sempre a puxar por elas, por ela e pela Piteira, lembras-te? Mas a Piteira era diferente, essa idolatrava-me, tentava-me imitar, mas ela não gostava de mim por eu me rir delas... só que ria-me delas, e ria-me de manhã quando ia tudo a sair do alojamento para ir para a primeira formatura, e ia tudo coxo a minha frente, até as cadetes e tudo, dizia-lhes: "saiam da frente suas coxas!!!", grande moral, eu que estava tão coxa quanto elas... mas essa rapariga chegou ao pé de mim no final do juramento de bandeira e disse-me: "eu admiro-te! Porque eu não acredito que tu não tenhas as dores que nós temos, que não tenhas bolhas nos pés como nós, nem que não te custe tanto, ou se calhar até mais do que a nós, e não te oiço queixar, não vejo uma lágrima, e andas-te sempre a rir!" Isto foi uma coisa que me ficou marcada, mas que acho que reflecte o espírito com que enfrentei a recruta. Foi o mesmo desde o início até ao fim. Só me fui abixo quando fiquei lá de fim de semana de castigo por ter fumado na prova de OTOP porque de resto andei sempre bem disposta. Andava era sempre a encher por não me vergarem, mas pronto, isso é outra história.

Isto tudo para te explicar a minha descontracção...

Agora, falando em memórias, a minha memória trai-me de vez em quando... invadem-me memórias todas ao mesmo tempo, mas quando tento isolar uma para falar dela, desaparecem todas. Ainda há pouco me estava a tentar lembrar de uma coisa que me contaste um dia aqui no quarto, sobre uma resposta que um ex teu te tinha dado na altura, e que eu me ri como uma perdida, aliás, duas horas depois, cada vez que me lembrava desatava a rir sozinha, mas não me consigo lembrar do que foi. E tu também não, de certeza... Mas lembro-me por exemplo, de como me fartei de rir de ti, quando foste tirar o aparelho dos dentes, e tiveste que cortar o freio da gengiva, estavas tão cómica a falar... bora jogar ing-ong?
Tenho saudades das nossas horas de almoço, até de estar a tua espera eu tenho saudades... ou de ficar com o rabinho na cadeira enquanto tu vais buscar salada para as duas. Aliás, não quero saber, enquanto eu cá estiver vens cá almoçar comigo, porque estou um bocado cansada de estar constantemente a dizer sim aos maçaricos, uma pessoa nem come descansada... vá lá que agora as mesas estão dispostas de forma a serem menos pessoas por mesa porque estar a correr uma mesa co 500000000 pessoas a ver se sou eu a mais antiga, vai lá vai!

Tenho saudades dos nossos jogos de matrecos a solo uma com a outra, riamos-nos tanto! Tu principalmente com o meu mau perder...
Tenho saudades... tenho saudades tuas minha tupida... fazes-me tanta falta... fazes-me falta nos maus momentos, mas fazes principalmente falta nos bons que não são tão bons por não estares aqui...
Estava-me aqui a lembrar das nossas primeiras idas ao clube para não parecermos bichos. Lembro-me particularmente daquele em que ainda cá estava um cabo velhinho da policia, o Abreu, lembras-te? E de irmos as três, eu, tu e a Gonçalves... e o homem não nos queria deixar ir embora, aliás, tivemos de disfarçadamente beber a cerveja, já quente, da Gonçalves porque ela não estava habituada a beber. E depois quando ele disse que duas podiam ir embora mas que uma tinha de ficar. Lembro-me tão bem! A Gonçalves desgraçava-se se ficasse, a mulher não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Decidi ficar eu, tu sentiste-te tão mal por me deixares lá sozinha... também não fiquei muito mais tempo porque entretanto o homem já estava tão bebedo que se esqueceu de mim, só que eu tinha um problema, o meu sentido de orientação. E como é que eu ia do clube para o alojamento? Estava lá o Nogueira que acabou por me ir levar, foi a minha sorte, apesar de ter de levar com as teorias dele. Na altura não achamos muita piada a situação, mas depois já nos rimos disso... nunca mais na minha vida beberei cerveja quente!

E quando começaste a nadar? Tu dirias que era preciso muita paciencia, e que tive muita paciencia contigo, por causa da tua fobia, mas mana, não foi preciso paciencia nenhuma, era uma coisa que eu queria, que tu perdesses o medo da água. Mas confesso que foi muito engraçado, quando desceste daquele escorrega para uma piscina com água pela cintura e quando chegaste cá em baixo entraste em panico por causa de te ter entrado água para o nariz. Bem! Tu escorregavas naquilo de uma maneira.... para meu azar, que tinha de me arrastar para sair do escorrega e tu nem esperaste para me ver sair mandaste-te logo. Eu realmente precisava de um empurrãozinho. E as primeiras braçadas que deste? Cada braçada que davas afundavas-te um bocadinho, terceira braçada já estavas completamente submersa... era tão engraçado! Ou aquela vez em que estavas solta na piscina já com água pelo peito e eu reparei que não estavas agarrada a nada, e quando fiz o comentário, entraste em panico porque não te tinhas apercebido. Adorei os nossos verões, tanto nas piscinas, como na praia, a apanhar ondas, lembras-te? e mesmo no aquashow... a malta pode ter fome, bora levar dois quilos de maçãs...

Fogo, tenho tantas saudades de tudo, até das nossas zangas... e depois quando nos voltavamos a entender de ti a dizeres-me como eu era uma besta a dizer as coisas...

Adorei quando me ligaste a dizer que tinhas passado nos testes físicos, tanto no ano passado como neste... embora tenha ficado um bocadinho melindrada por este ano não me teres dito que ias fazer... pronto, no ano passado três das tentativas fizemos juntas, só que eu passei a terceira e tu não... senti-me mal na altura, e até te falei nisso, por te ter deixado para trás, tu estavas a abrandar o ritmo e eu tive de seguir para a frente... depois acabaste mesmo por desistir e a Gerónimo fez a ultima volta comigo...

Tenho saudades, de apesar de termos saido poucas vezes juntas, tenho saudades de sair contigo... Aquela vez que saimos quando eu estava naquele estado de entorpecencia com a vida, e tu saiste só por causa de mim, porque estavas cansada... e foste, e ainda tiveste de me aturar com os copos, ainda por cima torci o pé... aliás, assim que o torci nem me mexi mais, vi logo o que tinha ali, já conheço tão bem o som dos fiozinhos dos musculos a partir, quer dizer, não é o som, é o sentir, mas é como se fosse um som. A Martins é que foi logo ter comigo porque vinha atrás de mim... e estava a chover tanto, tiveste de ir a chuva a correr buscar o carro para eu não ter de andar naquele estado. Paráste na Galp para comprar gelo, mas só vendiam aos sacos de um kilo, nem te dei tempo de tirar uns cubos para pôr no tornozelo, peguei mesmo no saco... aturaste-me tanto nessa altura, eu estava tão parva... até metia dó! E tu não sabias o que me havias de fazer porque eu estava a desistir... estava tão perdida, tão sem esperança de me encontrar, parecia naquela altura que tudo me tinha corrido ao contrário, e eu não só tinha perdido todo e qualquer objectivo como nem sequer tinha já vontade de sonhar, mas tu estavas lá...
Não houve queda que eu tivesse dado desde que apareceste na minha vida, que não tenha sido amparada por ti, e que tu não tenhas sentido também... cada uma de nós não consegue conter as lágrimas quando vê chorar a outra... e apesar de ir chorar menos agora, porque não te vejo a dor quando ela aparece, dói-me na alma por saber que mais ninguém vai ter capacidade de chorar contigo... quando tu precisares...

Também te adoro mana do coração, e uma coisa te garanto, se tu não tivesses existido na minha vida, eu hoje não estaria aqui. Foste tu que não me deixaste desistir...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O meu farol

De mãos dadas como tu mesma me disseste... estiveste comigo desde temps distantes... de mãos dadas com a promessa que estarás comigo nas minhas subidas e nas minhas quedas, e eu sei que sim... só não vais estar tão próxima. Foram anos a contruír uma amizade que ninguém entende... Estou preocupada contigo, sei que também não estás bem, e invade-me o desespero de não estar aí para te dar o meu ombro, ou mesmo o abanão que estás a precisar para reagires. Parte-me o coração sentir as lagrimas na tua voz que fala quase em murmúrio ao telefone, a tentar convencer-me que está tudo bem. Mas depois, lá chega a mensagem ao meu telemóvel, carregada de angústia e de tristeza. Sabes que dói-me a tua dor, partilho as tuas lágrimas, ainda que à distância da mesma forma que partilhaste as minhas... Dói-me teres ido embora, dói-me saber que fiquei cá sozinha, já não tenho para onde correr quando o meu mundo desaba, e ele desaba tantas vezes, mas dói-me mais agora, saber que a tua dor te consome e nem sabes de onde ela vem... espero que tenhas noção que não vou parar de te chatear se desconfiar que não te estás a tratar. Vou ter tantas saudades das nossas horas de almoço, de rirmos como loucas por coisas sem jeito... das tuas reacções tão cómicas, apenas por serem tão espontâneas... vou ter tantas saudades de te ouvir dizer que caiste aqui ou ali, porque até te conhecer eu era a pessoa mais desastrada que conhecia, mas a tua existencia mudou-me completamente a perspecva de desastre. Estou meio perdida agora, não sei o que o futuro me reserva, e acho que até aqui me tinha esquecido que não ias cá estar. Eu sei que ainda vens uma ou duas semanas para assinar desquite, mas vão passar a correr. Tenho-me sentido tão deslocada à hora de almoço, e depois há qualquer coisa que falta no meu dia a dia... acho que já sei o que é... a meia hora que levo a ligar para o 172 ou para o 177 em que do outro lado me respondem, ela deve estar la em baixo, depois ligo para o 169 e quem me atende responde-me, ela está la em cima, ainda tento o 161, o problema é que volto a falar com a mesma pessoa que me disse que estavas lá em baixo porque puxou a chamada... depois finalmente disisto, e ligo-te para o telemóvel... nunca decorei o numero dos equipamentos de voo, não sei porquê! Não sei quanto tempo vou levar ainda a escrever para ti no blog, acho que foi um choque maior do que eu própria pensava... não sei, eu sou estranha... somos as duas não é? Por isso é que nos damos tão bem...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Para ti, Ana!

Estou a escrever isto atacada por um choro convulsivo que ainda nao consegui parar, o ollhos vêm turvo por entre as lágrimas, é como se o coração se quisesse manifestar mais do que o que pode. Os 4 abraços que me deste quando te despediste nao chegaram para me fazer passar a tristeza e a dor que sinto ao ver-te partir. Não que não esteja feliz por ti por teres finalmente recebido alguns louros do teu muito esforço, mas já não estas aqui. Deixas um quarto vazio da tua presença, quase tão vazio como o meu mundo sem ti aqui. Eu sei que a amizade não acaba por te ires embora, mas não é a mesma coisa, nestas ultimas horas que passei contigo la no quarto, e enquanto discutias com o Diogo ao telemóvel, estes anos foram-me passando todos pela cabeça, anos esses que não irão voltar mais... não vão haver mais cigarros nas escadas de emergência, conversas as 3 da manhã só porque sim, ou porque uma de nós não estava bem, ou até mesmo as duas. Já não vou ficar com vontade de te matar de cada vez que me deixas um quarto de hora a espera à frente da messe com um frio de rachar, não vou mais estar constantemente a receber telefonemas desesperados teus a perguntar como é que se fazem as folhas de curso, ou para quem é que tens de mandar a NSI para isto ou para aquilo, ou para me pedires que te mande uma participação de equipamentos de voo porque a Romão foi-se embora e apagou tudo. Não me vais mais telefonar furiosa porque não sabes fazer a ORDOPS e não vais ficar mais furiosa ainda quando eu te digo que a ORDOPS não pode ser só uma página e que tem de ter um espaço no canto superior direito para pôr o número, ao qual tu me gritas "NÃO ESTÁ CÁ NADA"... Não vais mais chegar atrasada para o almoço porque te espetaste das escadas das Operações abaixo e me apareces toda suja porque era inverno, estava a chover e estava tudo molhado e cheio de lama. Não vais mais ligar-me assim que chego à esquadra a pedir para eu ir ter contigo porque precisas de colinho, e não me vai mais doer ter de te dizer para esperares só um bocadinho porque ainda tenho de ir ao briefing, que curiosamente neste dia, e só por ser neste dia, se atrasaou e se prolonga porque há uma aluno qualquer que foi apresentar um briefing sobre segurança de voo. Não vão mais acontecer este tipo de coisas que aconteciam quando estavas cá! É duro quando a realidade nos cai em cima como um relampago e nos apercebemos, finalmente, que aquilo que já sabiamos que ia acontecer, está mesmo a acontecer!

Lembro-me de quando te conheci, em Vila Franca na estação dos comboios, tu já estavas em curso e eu ia entrar para a recruta no dia a seguir. Lembro-me de andares lá, tu e o pessoal do teu curso, no meio do pessoal da recruta a avisar, dissimuladamente porque voçês não podiam falar connosco, que nós iamos ter uma daquelas noites que todo o recruta receia... as famosas caminhadas nocturnas pelo meio do mato, com a famosa mochila, a G3, o capacete (que na altura era de ferro, e não de plástico, como são agora) e o cantil preso no cinturão (que tinha de ir ou cheio ou vazio porque se não fazia barulho)... Lembro-me de imediatamente a seguir a saber a minha colocação que te mandei uma sms a dizer que ia para o pé de ti e que me apresentava em Beja na segunda-feira... Lembro-me... Lembro-me de tanta coisa porque há muito para lembrar! Das nossa zangas que passavam em 5 minutos.

Nós somos... sempre alvo de muita inveja porque as pessoas não podem compreender como é que duas pessoas confiam de olhos fechados tanto uma na outra! Tanto veneno que tentaram meter, tantas pessoas que tentaram tirar o meu lugar porque não percebem que a amizade que nos une é um laço mais forte do que um laço de sangue precisamente por isso, a amizade não se deve, dá-se! A amizade não se exige, pura e simplesmente acontece...

Lembras-te das nossas aventuras nocturnas? Daquela história que ainda hoje vive no meu antigo quarto? Daquela noite que tive de ir dormir contigo porque até eu entrei em pânico, a Vanda é que não gostou muito dessa história. Lembras-te das noites em que eu estava de serviço e tu me perguntavas se eu não me importava que tu estivesses a estudar? E depois nunca estudavas, punhas-te na conversa comigo... E daquele riso quase infantil, convulsivo com que facilmente desanuviavamos dos nossos problemas porque uma de nós se lembrava e fazia uma piada com o próprio problema...

Olho para trás e vejo, e sei, que me teria perdido se não tivesses estado lá há dois anos, se não tivesses sido o meu amparo, a minha tábua de salvação... Eu estava tão perdida, tão confusa, tão a entrar num estado de depressão, e lembras-te das tuas palavras? "Chega! Tu não te podes deixar cair nesse estado de depressão, não podes deixar de reagir, assim vais-te perder! Tu és forte, tens de contrariar esses sintomas, se não tens vontade de sair, sai, mas faz qualquer coisa porque não podes ficar assim", eu via raiva nos teus olhos, não de mim, mas do que se estava a apoderar de mim e da impotencia para me ajudar que estavas a começar a sentir...
E depois a tua mania irritante de me aconselhares com as minhas próprias palavras...

Tu para mim és a menina que não teve oportunidade de ser criança, és a mulher de armas que por mais que a vida tente derrubar, não baixa os braços...

Agora já acalmei, com as escrita, as lágrimas cessaram mas o coração continua a sangrar... Metade da minha força residia no facto de te saber perto. Eu podia entrar no quarto as 3 da manhã lavada em lágrimas que tu não me repelias.

E o dia em que fiz os 27 anos? Fui à tua esquadra e tu foste-me buscar um croissant com duas velinhas, foi o meu unico bolo de anos, sabias? Eu quis guardar as velas e pu-las na porta do carro, só que como sou tão distraída como tu, esqueci-me lá delas e derreteram... ainda lá estão que eu não sei como é que vou tirar aquilo, volta e meia fico com um pedaço de cera enfiado nas unhas quando fecho a porta do carro...
Eu poderia passar aqui o resto da noite a descrever todas as memórias que me invadem, mas tu conhece-las todas. De todas as vezes que chorámos a dor uma da outra, porque eu não consigo sentir-te triste e ficar indiferente e tu também não. Ou do amanhecer... que mau feitio ao acordar!!! tanto uma como a outra. Nenhuma das duas abre a boca para dizer nada quando acorda, só depois de vir da casa de banho, o engraçado é que isto nunca foi combinado e sempre foi assim...

Miuda, tenho tantas saudades tuas... custa-me tanto ver-te partir. Eu sei que é egoista, mas já me estou a sentir tão sozinha...

Sabes que te desejo toda a sorte do mundo e que estou muito feliz porque pelo menos uma de nós conseguiu alguma coisa. Sei que nunca vou perder a tua amizade, mas já nada vai ser igual.

Boa Sorte!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Hang on tide, the sun will rise

Life tends to difficult everything for us... it gets us on our knees, it tries to take our faith and beliefs, but we stand still! At the beginning all the shadows around us begun winning, at the beginning everything was harder, we were too apart yet, at least not close enough... as time goes by we grow stronger, and we will win this fight... this little unfortunate things that keep happening only gives us strength to keep on believing that we'll get somewhere... I'm here, I'm not going anywhere... I don't care how the world sees us... they'll never understand...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

For you

Close my eyes and I fall a sleep in silence... lose myself in your eyes... you're in every word, you hount my dreams, live in my thoughts, you're always there, minute after minute... I see you and recognize you in the doom... close my eyes and fall a sleep with the anguish of distance, and tomorow will be alike... feel's like a spear is stuck in my unfrozen heart... I wish I could touch you, see you, be close to you... close enaugh to tell you in a whisper : " I love you!"

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sou...


Passos que se perdem na imensidão de nada, luta renhida pela espada, e nada será igual, porque empunhei o destino e não verguei… Revolto-me, reajo e luto, com tudo o que tenho e o que roubo ao vazio, como o vazio me roubava a mim… corro, paro e escuto o som da corrente de palavras que se libertam de um olhar que jazia morto no fundo do mar… abraço a imensidão do que me aguarda e grito ao mundo que não vou mais parar, porque agora encontrei o trilho do caminho que me guiará onde tenho de ir, para ser, para viver… escuto os passos das dificuldades, mas não me assusto, pé firme em terreno sólido e não me demoverei, porque hoje sou!...

Cresço e torno-me no gigante que tudo conquista, ocupo a imensidão do espaço vazio que me envolvia, e revelo-me a mim…

No final, serei eu que estarei de pé, empunhando numa mão a espada que me deu a vitória, na outra a misericórdia pelo que pereceu a meus pés! Sou…

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fighting


Another hit in the wall, another spear through my heart, but I won't lay down. Hello, I'm still here, waitting for the big wave, is that all you got? I'm talking to you, the misery that fallows me everywhere I go, the dark that trys to torn my heart, I'm talking to you! I'm standing still, still here, can't you see? This is who I am, can you beat me? I'm talking to you, life! No matter how many obstacles you put on my way, I see them coming, no matter how many times I fall down the abiss, you know, I'll always find my way back to climb it, no matter how much I bleed, I wont give in! Can you hear me? I'm here, building my fate, wheather you like it or not!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Back!


Back at the battle field, found my peace of mind!
Seeking for a way to get through these walls that keep me out. After a long time away from myself, I got back, and I stand still, no regreats! Here I am waiting for the big wave, ready for the incoming lightning, open arms to recieve the fight! Here I stand aware of the abiss that layes ahead! Here I am with my healed soul. I stand still, no fear, no regreats, only the sight of what I stand for...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Aqui...


Fecho os olhos e vejo... habito um lugar inóspito na minha mente, nada se avista... Estou cercada pela linha do horizonte, é igual para onde quer que olhe, exceptuando algumas irregularidades de relevo, é sempre igual, nada me diz para onde seguir para sair desta prisão sem grades... Estou acorrentada sem correntes, que me prendem aqui, onde ninguém pode chegar, onde ninguem me pode chegar! Fecho os olhos e ando à volta até nao mais conseguir, e quando parar, tenho um rumo escolhido, é uma maneira tão válida como qualquer outra para escolher um caminho... Abro os olhos para a imensidão do que me aguarda, mas não é nada, rodeia-me o que sempre me rodeou, perdi a bússula da vida, e parece que cada passo que dou, seja em que direcção for, me leva sempre para mais longe do meu destino, porque a trilha foi apagada, e eu já não consigo andar. Arrasto os pés pesarosos, deixando atrás de mim as marcas de uma caminhada cujo sentido se perdeu há muito tempo. Já não procuro, já não espero, já não sei...

domingo, 3 de maio de 2009

This is it...


This is the story of my life… A storm all the time, the restless rain coming down on me, burning my eyes…
I could start with a “once upon a time”, but this isn’t a fairy tale, there won’t be an “and they lived happily ever after”, there’s no such a thing as eternal happiness. That’s not my story, not my life! I can always start a fight, but it becomes endless, I always lose control. Days go by and I feel I’m still standing because I can no longer fall! Days go by and I look the same, but deep in my eyes I can see, the storm is just about to get worse, the storm is just about to get the worst! I look at the horizon and the light seems different, the colors aren’t vivid anymore!
The darkness approaches my eyes, I try to repel it, but it’s becoming stronger, so much stronger than my own strength. I’m fighting myself to not give up, but I’m already getting on my knees. I look out the window, I just want to be gone, so far, as far as the eye can see. The emptiness touches my soul and I feel cold, I freeze, I can’t scream, my voice got stuck in the shadows, It can’t be heard no more. Now the words that come out my leaps don’t seem like mine, the sound I heard from my throat isn’t natural, I’m getting caught by something I cannot explain, that cannot be seen, that no one else feels, but still, it’s here, and it saw me, and it won’t give me in… every time I get to be alone, it moves closer, I almost can feel it’s breath, I’ll end up losing myself, but not without struggling.

quinta-feira, 23 de abril de 2009


A noite cai plena de escuridão, abro caminho através do vazio que começa a ganhar terreno, escondo-me nas palavras, nos gestos... procura na incerteza a certeza de que vivo, mas não sei... demasiados pontos de interrogação toldam a minha mente demaisado cansada...
Olho no espelho e nao reconheço nem o rosto, nem o olhar... não sou...
Perseguem-me as sombras dos objectos cadentes, ocultos nos raios de sol, fictícios da madrugada.
Cavo uma sepultura eterna, deito-me aguardando que o sol se ponha, e nao procuro mais!

Back again


I walk back to the place that have always been my home, I just didn't accepted it! But here I am! Back to the darkness, back at the shadows that took me in! I drawn with the flood of my misery and I'm lost. Looking around, trying to find my way, but there isn't such a thing for me. I wasn't suppose to be here, nor anywhere!
This! Isn't what I dreamed of, these aren't the roads I should follow...
The tears are dry! The water is bitter!
There is no longer an answer for me.
I got back, and can't set free!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sonho











Olhei no teu olhar turvo

Morte que te aproximas distante

Segui teus passos negros

E fugi na noite

Ao longe aviste o luar

De mil cores pintado

Libertando o aroma do vazio

Misturando-se num negro doentio

De solidão...

Lágrimas libertaram-se dos meus olhos

Num flamejar de esperança

Desfeita pela desilusão

Cantei!

Cantei e ao cantar descobri

Senti

Senti-te envolveres-me

Tocar em meu rosto

Minha face apagada

Pegares-me na mão

Como se de porcelana se tratasse

Vi em teus olhos a certeza

Vi em teus olhos a dúvida

A alegria, a tristeza

A vida, a morte, a súplica!!

Que te gritei

Morte que caminhas lenta

Com um corpo de rocha feito

Senti teu cheiro pestilento

Tuas mão viscosas de carne viva

Passares as mão pelo meu corpo nú

Penetrares no meu olhar

O teu olhar mortífero

Prenderes-me com correntes de fogo

Queimando-me a pele

Branca e leve

Querendo fazer-me

Beber do teu sangue

Veneno que queima

Corrosivo para a vida

Gritei!...

...Acordei.

1999

domingo, 22 de março de 2009


Another day gone by, without an answer... Powerless I feel... I hear the storm coming back again, and I know I'll drown with the flood.
Pain and anguish rise up from the ground, and I know, I'm still here!
Trying to prof myself wrong!
Those aren't the lies I needed to hear... surviving against a whole world of disappointment...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Lonely


Walls closing in... The darkness I thought faded away is moving back in my heart. Lost in a desert of pain and sorrow, trying to stand still! Drowning my self in my own dark tears, feeling the shadow so close! So cold! So much darker than the night! Running around scared, not knowing the road to fallow... fell down on my knees, but I can't pray! Words become meaningless, the sounds of the voices in my head, shout out laud! Lost in a sea of misery, trying to keep my soul from running away again. Dreams vanishing in front of my eyes, broken promises hurt so much! Trying... keeping on trying... 'till I can't be hurt no more!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Vazio


As vozes gritaram, não quis ouvir, os sonhos mostraram, fechei os olhos... O destino ergueu-se da lama, do lodo, tocou-me, nojento! Desenterrou do fundo do túmulo o que a morte tinha levado, varreu o pó das memórias e tudo regressa a um aviso, tudo regressa ao que ouvi e vi... Estava escrito nas linhas do destino que assim teria de ser... Que tinha de morrer, de me sepultar, de ser vazia, de tudo e de nada, porque havia demasiado vazia nas coisas que sentia e depois... Demasiado vazio no vazio!
Sufoquei, gritei, gemi! Tinha de me libertar, de me prender, de viver, de ser tudo e ser nada, porque a sombra sempre me acompanhou... Fugi, mas não consegui escapar, nunca me poderia esconder...
Sou... Nem sei mais... Somos o que vivemos... Quando não vivemos, somos o quê?
Roubaram-me primeiro a inocência e deram-me guerra, depois tiraram-me a guerra e deram-me paz, no meio tempo foram-me dando e tirando tudo quanto havia de bom e de mau! Depois... Tiraram-me a alma, a esperança, tiraram-me de mim, e quando pensei que não poderia estar mais perdida...
... Roubaram-me também a dignidade!
Agora...
... Estou apenas...
... Sentada na beira do rio...
... Hei de ver-te passar!

19Jul2007

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Divagações











Ouço os passos turvos da escuridão, protejo os olhos da falta de luz… O mundo volta a rodar no mesmo sentido, mas eu já não sou!...

Palavras sábias em bocas impuras obrigam-me a reconhecer… Que nunca nada está certo…

Abraço a solidão na beira do abismo… Neste lugar inóspito foi ela que escolhi como companheira!... Foi sempre ela que me acompanhou em momentos difíceis…

Lavo as mãos no silêncio das palavras rasgadas num pedaço de papel, onde os pingos de tinta caem como lágrimas, onde se gravam as certezas e as dúvidas…

Rezo baixinho na esperança que alguém me ouça e suplico por um segundo de luz, só para saber que ela existe… que ela não morreu!

Visto a penumbra da noite e aclaro a voz para não mais gritar, porque a corrente de palavras não ditas abandonou o rio do meu leito e percorreu com a tempestade o caminho traçado pela caneta do destino, mas eu fiquei! Eu que sempre corri, parei e nem me apercebi!

Hoje procuro as lágrimas que o meu coração reteve, mas secaram…

Hoje o mundo em que a neve cai, é negro, porque apenas vejo pedaços de carvão, caem em minha pele, riscando-me da vida…

Nada é como sonhei, nada no mundo se manteve igual e nada ficou diferente… Apenas o vazio permanece em frente a mim, colado à minha alma como lapa, palpável, frio, cruel!!

Hoje não sou nada nem tenho paz porque não estou em guerra! Não me alcanço porque não paro de me fugir!

Não sinto como o mais comum dos mortais! Hoje fui ninguém porque alguém me vê!

O desespero bate-me à porta pintado de azul e a revolta dá voltas para me obrigar a gritar, mas também já perdi a voz.

Fui um dia uma alma!