domingo, 9 de junho de 2024

Sobre o aborto

 Anos se passaram sem que escrevesse uma palavra... A vida dá voltas e as coisas mudam.

Neste meio tempo muita coisa mudou...

Enquanto casal estamos muito unidos, ultrapassamos dificuldades, e somos além de marido e mulher, melhores amigos. Ele é o meu pilar.

Tivemos o Tiago, nasceu em 2012. A gravidez correu bem, o parto nem tanto. Foi bastante traumático, principalmente para o Pedro que assistiu a tudo... No fim acabou tudo em bem e temos um filho saudável.

As circunstâncias do nascimento dele foram um fator determinante na decisão de ter um segundo filho. Eu queria, o Pedro teve dificuldade em ultrapassar a experiência. E o tempo foi passando...

Até que me vi no limite dos 39 para os 40 anos e tivemos uma conversa. Seria agora ou nunca. Pediu-me que aguardasse até julho nesse ano, que seria quando acabaria o 12° ano. Aquiesci. Em agosto começamos a tentar, no fim de 9 ciclos lá obtivemos o positivo no início de maio de 2023, portanto engravidei em abril.

Tudo corria bem, até que no dia em que fazia 10 semanas de gravidez tive uma taquicardia e tive de ir a urgência porque ao contrário das anteriores que tinha tido (já tinha feito exames, tudo normal) desta vez o ritmo subiu para valores alarmantes, 220 bom. A médica garantiu-me que a medicação não faria mal ao bebé, não teria feito qualquer diferença. Uma semana depois, no dia que faria 11 semanas, num sábado já em junho, quando viemos das piscinas e despi o biquíni, notei uma pequena manchinha acastanhada nas cuecas. Tomei banho, e quando me lavava, no puff apareceu mais uma manchinha. Não havia o que enganar, era sangue. Chamei o Pedro, perguntou-me se queria ir ao hospital, enquanto tomava banho disse-lhe que íamos ter calma, podia não ser nada. Mas depois quando sai do banho peguei num pedaço de papel higiénico e voltei a -me, mais sangue, escuro, mas sangue. Decidi que era melhor ir a urgência. Jantamos e fomos. Diagnóstico, aborto retido, o bebé tinha parado de desenvolver às 8 semanas, estava há 3 semanas morto no meu útero. A médica mandou-me para casa, para voltar dali por duas semanas para reavaliação. Já tinha começado o processo de expulsão, disse que não seria uma torneira aberta, mas que iria ter sangramento. Explicou-me os sinais de alarme, tais como febre e hemorragia abundante. Relativamente ao processo de expulsão em si não me deu qualquer informação, e na altura muito pouco encontrei em pesquisas. Nesse dia já tinha um leve desconforto na barriga que foi aumentando gradualmente á medida que os dias iam passando, até que na sexta-feira seguinte acordei às 6:30 da manhã com contrações. Não como as de parto porque nessas consegue-se respirar e encontrar alívio entre uma e outra, eram seguidas, ainda não tinha acabado uma já estava outra a começar, não havia posição que me aliviasse. Meti-me no poliban, sentada meio de lado no chão com água morna ora na barriga ora nos rins. Nessa altura perdia rios de sangue e coágulos enormes, tentei fazer força, mas tudo o que saia era sangue e coágulos. Ao fim de cerca de uma hora aliviou um pouco, continuei com dores mas as contratações pararam. Tomei banho, vesti-me, coloquei um penso normal da menstruação e fui para a sala, no segundo em que me sentei no sofá tive de me levantar porque senti uma descarga tão grande que o penso ficou ensopado no mesmo instante. Voltei a casa de banho e senti-me na sanita para trocar o penso, e senti uma coisa sair. Pensei que tinha expulsado mas não conseguia ver nada concreto. Voltei para a sala, só conseguia estar sentada meio de lado. Às 3 da tarde voltaram as contratações, o relatório é igual ao anterior, muito sangue, coágulos e cerca de uma hora depois aliviou. Até pensei que não dormiria nessa noite, mas fui vencida pelo cansaço e adormeci. No dia seguinte o Pedro acordou-me cerca das 10 da manhã, fazia uma semana do diagnóstico de AR. Comi qualquer coisa, entretanto a minha mãe ligou-me e enquanto estava a falar com ela comecei a senti-las a começar novamente. Quando terminei a chamada voltei para o poliban, fiz toda a força do mundo e não saía uma gota de sangue, nada... Após uma hora acalmaram e voltei para sala. Cerca do meio-dia o Pedro disse que o almoço estava pronto, e eu fui a casa de banho fazer xixi, quando olhei tinha um coágulo comprido pendurado, fiz força para ver se caía e nada, irritei-me e fiz mesmo muita força e senti sair uma bola disparada. O saco saiu inteiro, apontamos a luz do flash do telemóvel e conseguia ver-te perfeitamente os contornos do perfil de um bebé todo formado. O saco era do tamanho da palma da minha mão. Foi duro, física e emocionalmente, mas acabei por superar. Estive mais esse mês de baixa por interrupção da gravidez e regressei ao trabalho. Voltamos a tentar outra vez em agosto, voltei a engravidar em abril. Descobri 4 dias antes do dia da menstruação porque tive uma infeção urinária e fiquei desconfiada. Dois dias depois tive um corrimento cor de rosa, comecei logo a pensar o pior, mas era tão cedo que era consistente com o sangramento de nidação. Durou dois dias, depois parou. 4 dias depois comecei com um corrimento acastanhado, toda a gente dizia que era normal, que era o útero a limpar, mas ao fim de 4 dias não passava fui a urgência. A médica que me viu não quis fazer eco porque dizia que não se ia ver nada, observou-me com o espéculo e fez-me toque, decidiu que estava tudo normal e que tinha o colo do útero friável. 4 dias depois acordei com sangue vermelho vivo. De volta a urgência fui vista por outro médico. Uma mancha de sangue enorme no útero, segundo ele a medicação já não ia fazer aqui nada, mas pediu-me uma hemograma e um beta HCG, para ver se estava anemica e se a gravidez era para ir para a frente. Quando saíram os resultados fui chamada por outro médico, disse que o hemograma estava bom e que o beta indicava uma gravidez evolutiva. Mandou-me para casa com repouso absoluto e progesterona de 8 em 8 horas. Para voltar para reavaliação dali a duas semanas. Cumpri com as indicações e o sangramento foi diminuindo, até que parou, continuava com sintomas de gravidez, o que me dava um certo conforto, porque da última vez quando fui diagnosticada com AR, já tinha perdido todos os sintomas de gravidez. Regressei ao hospital 2 semanas depois, fui vista pelo mesmo médico que me tinha visto primeiro da vez anterior, de eco e disse que o saco cresceu mas que não tinha embrião. Disse que ia chamar o outro médico para ele ver o que queria fazer. Mandou-me ficar na marquesa, e ali fiquei cerca de dez minutos a espera, de perna aberta. Entretanto o outro médico veio, olhou para a eco que o primeiro tinha feito, e decidiu fazer nova eco. Disse que tinha embrião mas que estava bradicardico. Disse-me que não era bom sinal, até fez zoom no ecrã para me mostrar o pontinho a piscar, que seria o coração. Disse -lhe que tinha tido um duas taquicardias no dia anterior e que tinha tomado Concor e diazpam, se poderia ter alguma influência, uma vez que era medicação para baixar o ritmo cardíaco. Respondeu-me que em princípio não, mas que não me dava a certeza. Perguntei-lhe se continuava com a progesterona, disse -me que se não houvesse batimentos que me dizia que não valia a pena, mas assim que não íamos já atirar a toalha ao chão. Receitou-me aspirina para tomar todos os dias a noite e injeções de heparina para levar todos os dias de manhã até a próxima consulta, isto era terça e a consulta ficou para a quinta da semana seguinte. 

Durante esse tempo continuei sempre com sintomas de gravidez, quando regressei na quinta estive mais de 3 horas a espera porque o doutor estava numa cesariana e depois foi almoçar. Quando me mandou entrar disse para ir a casa de banho e deu-me o lençol do costume. Não percebi que tinha de fazer xixi, quando começou a eco é que me disse que tinha a bexiga cheia, eu disse que podia ir fazer xixi, mas não me respondeu e fez a eco mesmo assim. Fartou-se de procurar e carregar na minha barriga para conseguir ver alguma coisa, foi complicado. No fim disse que o saco não tinha reforço e que o broto embrionário estava lá mas que em princípio não tinha desenvolvido e que não lhe conseguia encontrar batimentos. Mandou-me para casa duas semanas, para regressar dia 20 deste mês para confirmar o diagnóstico e para ver se preciso de medicação. Mais um diagnóstico de aborto retido...

Mandou-me parar com toda a medicação, por isso no verão dele não há qualquer tipo de esperança. Apesar de não ter usado vocábulo definitivo, acho que é mesmo típico deste médico, dá uma opinião mas não afirma com toda a certeza. No fundo tenho um pouco de esperança de chegar lá daqui a duas semanas e o cenário ter mudado por completo, mas cá no meu íntimo sei que é muito difícil o médico ter-se enganado. 

Mas temos sempre esperança no milagre...

domingo, 2 de março de 2014

apos muitos anos

Já tinha saudades tuas e a tua presença aqui trouxe-me muitas coisas... fiquei um pouco nostálgica não só pelas conversas que há tanto tempo não tinhamos mas pela tua presença em si, que me lembrou que eu sou, ou quem eu era. Não me estou a queixar, estou onde estou por todas as escolhas que fiz, e não me arrependo delas, elas trouxeram-me aqui, à minha realização pessoal, à mulher feliz que sou por ter conseguido acreditar no amor e ter realmente atingido essa conquista, tenho os dois grandes amores da minha vida comigo. O Pedro que fica sempre do meu lado, e embora às vezes não saiba como sempre me apoiou e a luz dos meus olhos, o meu cagoito, que por mais negro que seja o dia consegue sempre arrancar-me um sorriso com o seu próprio sorriso inocente! Infelizmente na minha vida para atingir certos fins tenho de abdicar de outros, e falta-me essa parte de mim, profissionalmente sinto-me um fracasso, se por um lado acho que estou a desperdiçar tempo em que podia estar a ser util em qualquer lado, se por um lado acho que tive capacidades para fazer muita coisa, por outro sinto que as estou a perder, sou insatisfeita como tu, e aborreço-me facilmente com a vida, como agora que e desde há muito que não faço nada... e por um lado a culpa é minha, porque o meu pecado capital é a preguiça, e quanto mais tempo tenho para fazer as coisas menos vontade tenho para as fazer... será pedir muito, eu só queria um trabalho stressante, é essa a minha zona de conforto, é assim que me sinto em casa, com muito pouco tempo para muita coisa para fazer, para passar a vida a queixar-me que não tenho tempo para me coçar, mas no fundo só assim sou feliz... não sei, hoje sinto-me triste, a tua presença aqui obrigou-me a imaginar como poderia ter sido, mas não me entendas mal, não trocava, porque isso implica que eu hoje não tivesse o que tenho, mas... eu só queria trabalhar, um lugar ao sol, já merecia um pouco de sorte... enfim. é apenas um desabafo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Palavras...

Abraço-te em tua angústia procurando amainar a tua dor, apaziguar a tua alma, tirar-te a dor de perda que te consome... mas os meus braços não chegam para abarcar tamanha dor...
Não suporto ver o teu rosto banhado de lágrimas... Caminho a teu lado, olhos pregados no chão, mão dada contigo, debaixo de um sol abrasador que não chega para te aquecer a alma, nem a minha por te ver assim. Perdes-te em devaneios de raiva por quem não fez o que podia e remorso por não teres podido fazer mais...

Dói-me a tua dor, dói-me não poder dar-te de volta o que perdeste, não ter o poder de fazer o tempo voltar atrás para que se pudesse ter feito as coisas de maneira diferente, dói-me o que te dói porque te dói, e nada mais te posso dar além destas e de todas as palavras que te direi ao longo da vida... nada tenho que te possa dar além destas palavras e da minha presença...Desculpa.  Amo-te!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Para ti mana

Olho à janela e perco-me em pensamentos, tentando imaginar a angústia que te consome, mas não consigo... a partir de determinada altura a minha imaginação não é suficiente para conseguir chegar perto do que se sente quando se perde um pai... Há tanto que gostava de fazer por ti, e por mais palavras que tenha para te dar, porque é apenas isso que se tem nestas alturas, isso e o silêncio, mas nem palavras nem silêncio te aliviam o fardo da dor que carregas no peito.
"Perdi o homem mais importante da minha vida..." são palavras que no silêncio não consigo deixar de ouvir, e no fundo sinto um pouco de remorso por não ter sido eu a estar lá para te segurar quando o teu telemóvel tocou com a triste notícia. Nada do que eu diga aqui ou mesmo pessoalmente vai mudar o teu estado de espírito. Senti que foi tão pouco ter ido ter contigo na sexta-feira, apesar de me ter apercebido que fui um pouco uma lufada de ar fresco naquela que se tornou agora a tua realidade.
Continua a ser tão pouco...
Apenas te quero relembrar que não estás sozinha no mundo... mana, quando não estamos sozinhos vale sempre a pena lutar, não te deixes vencer pelo cansaço da dor constante... Apenas acorda todas as manhãs para mais um dia de luta e não esperes... apenas vive um dia de cada vez... melhores dias virão, é uma promessa... e depois de tudo o que passamos juntas, de todas as histórias em que me "obrigaste" a acreditar, mesmo quando eu te dizia que era imaginação minha, agora és tu quem tem de acreditar... O teu pai ver-te-á com os galões de oficial, e não haverá pai mais orgulhoso no universo...
E não voltes a dizer nem mesmo para ti que não lhe deste motivos de orgulho, quando tu foste a filha que nunca o abandonou, e foste a que conseguiu ir mais longe... Quando ele partiu deste mundo partiu com uma certeza pelo menos, que tu realmente foste a que foi mais longe, e ainda estavas só a meio do caminho...
Tens força para superar tudo, e no fundo tu sabes que sim... Não te desinteresses agora do que tanto te custou a conquistar...
Estou contigo irmã... hands held... forever!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sonhos de cristal invadem minha mente como se não existisse mais nada... deixo-me vaguear por esta torrente de bons odores e musicalidade com  que o ambiente que me rodeia foi presenteado... Fecho os olhos em meus sonhos acordada e consigo ver, quase consigo tocar... e sentir... Abro os olhos novamente e vejo-me onde sempre estive, aqui! Não me sinto só, solidão não significa estar sozinho, mas ser sozinho! E eu não me sinto só porque estou só, mas não sou só!
Apaziguo os medos da minha alma com um suspirar profundo e preparo a artilharia para a guerra que se segue, mais uma...
Não gosto de momentos de transição mas quando começo a pensar, todos os momentos são de transição, um momento das nossas vidas está sempre entre outros dois momentos e, portanto, cada momento é de transição do anterior para o próximo, só não damos conta disso na maior parte das vezes. Momentos como o que estou a viver tornam-se proeminentes porque são claramente de transição, o deixar de fazer uma coisa e estar a espera de começar a fazer outra. É como a pausa no meio das refeições. Mas não gosto de momentos de transição, não gosto de naão saber o que me aguarda, não gosto de estar expectante. Procuro não entrar em pânico à medida que o tempo passa refugiando-me nas palavras, nos sonhos, na imagnação. Mas sei, sei que não caminho sozinha, caminho de mão dada com o meu porto de abrigo, caminho direcção do nascer do sol e olho em frente.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Adeus


Heis-me chegada a esta fase da minha vida, fase a que qualquer praça que não pretende ou não conseguiu entrar no quadro chega, a despedida. No meu caso aconteceu os dois, primeiro não consegui por razões que foram alheias, e os que me são próximos conhecem a história das injustiças desta instituição, e depois já não quis ficar... quis a vida mostrar-me que haverá mais para além disto. Não deixa no entanto de ser penoso despedir-me, não da farda, mas das pessoas com quem trabalhei ao longo de 6 anos...
Está agora a fazer 6 anos que cá cheguei, acabadinha de sair da Ota, 2º cabo, dia 17 de Novembro de 2003... fui colocada no D.P.P. onde estive um ano, depois passei mesmo para a secretaria da Esquadra... Aqui passei os ultimos 5 anos da minha vida, aqui aprendi, ensinei, sofri, ri, cresci enquanto militar, enquanto profissional e enquanto mulher. Aqui foi a minha segunda casa, às vezes primeira, aqui partilhei alegrias e tristezas com as amizades que fiz, levo no coração a lembrança de quem sempre me apoiou, de quem não me apoiou não guardo rancor.
Levo na lembrança tudo o que de bom passei nesta Esquadra, conhecida como a Esquadra de melhor ambiente da Base Aérea nº 11, as surpresas que tive, umas delas foi este quadro que me foi oferecido no meu jantar de despedida, outra foi o louvor que recebi no ano passado, do antigo Comandante de Esquadra...
É com alguma angústia que deixo a Força Aérea para enfrentar o mundo lá fora, angústia e receio, toda a gente tem medo da mudança.
Despeço-me então com uma lágrima no canto do olho desta Esquadra que é feita de pessoas humanas e generoras...
Adeus Esquadra 552 e que mais uma vez se faça ouvir a música da Esquadra que ao fim de 6 anos, finalmente, consegui decorar...

Lá vai a malta dos helicópteros
Lá vai a malta toda contente
À garraiada, à cachimbada
Haja bebida para toda a gente

E quando passam os helicópteros
Deixam no ar um tom de festa
Belas rapadas, grandes missões
Não há na FAP uma Esquadra como esta!


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Perfeição

Olho-te na noite e vejo-te em ti... desiludes-te com a vida porque buscas uma perfeição que não existe... Procuras que tudo seja perfeito, que o momento seja perfeito, que as pessoas sejam perfeitas, e que não hajam problemas para manchar essa tua bolha de perfeição... queres que tudo aconteça da unica maneira que não pode acontecer... sem falhas... sem erros... e desiludes-te contigo porque não aceitas menos do que isso... e culpas-te por não conseguires o que mais ninguém consegue, transformar o mundo num lugar em que a felicidade é constante, e que as lágrimas não caem dos olhares apaixonados...
Perfeição? Na verdadeira acepção da palavra, não existe... não há nada no mundo que não tenha um defeito, por mais ínfimo que seja... Perfeição é como o vazio... desprovido de essência, de matéria, o vazio seria perfeito, não fosse ele a maior imperfeição que existe... é perfeito no que o constitui, mas será que o nada é perfeito? o nada é a ausência de qualquer coisa, ausencia significa falta, falta é uma falha, uma imperfeição... pois se nem o vazio é perfeito, onde é que existe perfeição afinal?
Queres saber o que é perfeição para mim?
A perfeição reside naquele abraço dado no momento certo, na sincronia com que os nossos corpos se unem ao mesmo tempo que os nossos olhares se cruzam... perfeição está naquela lágrima que cai de saudade... perfeição está naquela mensagem que chega ao meu telemóvel nos momentos mais imperfeitos da minha vida, e que os tornam menos imperfeitos...
Queres saber onde é que está a perfeição para mim?
Está no facto de ter a capacidade de dizer: "eu amo-te" e ser verdade.
Está no facto de receber como resposta: "eu também te amo" e ser verdade também!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Um sorriso e uma flor

Bates-me a porta, noite cerrada, uma flor escondida para te desculpares! Estava zangada, mas zanga alguma poderá ser mantida depois de um abraço, uma flor e um "desculpa"... sou assim, perdoo-te num abrir e fechar de olhos, e esqueço todas as palavras duras e algumas injustas até que te disse... esqueço o que já não me dói, e ter-te à minha porta apaga a dor da tua ausencia forçada, não era preciso a flor, bastavas apenas tu... A chuva cai lá fora, mas cá dentro faz sol em cada gargalhada sincera... Meus olhos brilham quando olho para ti e sei... Apertas-me em teus braços e sinto-me em casa...

sábado, 10 de outubro de 2009

Still fighting... always fighting!

You came into my life like a shadow, not asking for anything... everything started with a friendship, none os us knew what was about to come, we couldn't know... how could we gess? The months started to go by and everything rushed into us like a sudden storm... there wasn't right or worng... it was just us... the rest of the world didn't exist... we started to fight like true worriors... and we still didn't have a clue of what was yet to come... we strugled so much throughout these months, it looks like a life time! First I fought for you... months later I almost gave up of you... you weren't fighting... you were just waitting... but then you fought for me like a lion... I sow you fighting like no one has ever fought for me... Now... we're going through hell... I have had the best moments of my life with you... but there cannot be one without the other, and I also had the worst moments of my life with you... I'm sorry, I'm trully sorry I got us into this... I'll get us out... you will believe me, somehow, someday you will... until then, we'll keep fighting side by side... the one thing I've learn with you is that giving up is not an option... we can't, we aren't able to... I can't let go, and you said to me that neither do you! We love each other more than we could ever imagine... we love each other too much to have that option... we have no choice... but to fight, together, aginst the rest of the world.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

you're the one

I wake up in the morning still feeling your goodnight kiss in my lips, but is still morning and the night is still so far. Every second I spend without feeling you close is an eternity. I wake up everyday with you in my thoughts, reminding the way you look at me, almost feeling your touch as the memory crosses my mind... You're the one, no doubt of that... I still hear your voice in a whisper in my ear, telling me how much you love me, telling me what your eyes see in me, making me feel the most beautiful girl in the face of earth... I cannot put in words... You have no idea of the way you changed my doomed life, you can't possibly know what you've awaken in me... You have no idea of who you really are... you're the one and only true love!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Incógnita

Abro os olhos na minha madrugada e acordo do meu sonho de cristal... permanece ainda em minha mente o calor do sol que brilhou em minha noite... abro os olhos... acordo de um sonho real e questiono as quatro paredes que o abrigaram se ele chegou a existir... procuro nos recantos do ar que me rodeia a presença do que sonhei, e sei... sei que não foi um sonho, foi real... vejo nas coisas um brilho diferente, como se as coisas tivessem de alguma forma mudado... as pedras da calçada que não se alteram sob o peso dos meus passos brilham como se fossem pequenas estrelas cravadas no chão, outrora tão banal... as paredes nuas das casas... parecem mais firmas, mais sólidas... tudo o que antes passaria despercebido porque sempre ali esteve se torna, se transforma... não é o mundo que muda, mas os olhos através dos quais ele é visto... permanecem ainda em minha mente as dúvidas e o receio de estar a sonhar... Aqui estarei para descobrir....

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Insónia


As palavras ferem como facas, e entoam em minha mente como se eu continuasse a ser o alvo rodopiante constantemente atingido... enquanto a madrugada avançava, eu apagava lentamente as memórias de sorrisos, substuindo-as por palavras ditas com rancor... pela manhã um pedido de desculpas não apaga estas palavras atiradas para o ar com o propósito de ferir... Acordo da minha noite agitada com o toque do telefone e não sei o que esperar quando atendo... o sol nao pode brilhar sempre... la há dias em que o céu se cobre de nuvens... procuro na voz que me fala do outro lado do telefone algum sinal, no bom dia que me diz, algo que me diga se a tempestade ainda está para explodir... "em primeiro lugar, desculpa..." e a sombra foge, mas fica no caminho o rasto do vento forte que acabou de passar... mais virão... vou sempre desculpar...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vitória

O meu dia hoje não começou bem, para variar não ouvi nenhum dos 3 despertadores... como se isso não chegasse agora ainda há a porcaria da cerimónia de brevetamento... e tu não estás cá... surpreendo-me ainda quando me apercebo da tua ausência em tantas circunstâncias onde antes se calhar nem me apercebia da tua presença... já era um habito tão grande estar formada ao teu lado, eu a primeira, tu a segunda... por causa do tamanho... aquele lugar nas formaturas sempre foi meu, e o teu sempre foi ao meu lado... já estava tão habituada a queixar-me da vida ali ao teu lado, ou a dizer piadas, ou a briga com os mosquitos que parece que no meio de tanta gente é sempre comigo ou contigo que vão ter, precisamente naqueles momentos em que estamos em sentido e não é suposto mesmo mexer...até já estava habituada a levar pontapés teus quando íamos a marchar... fizeste-me falta hoje, sim, porque apesar de eu ser um dos todos os dois reservas que estiveram hoje no treino, havia um pelotão de imensas 9 pessoas (3 eram sargentos), e lá fui marchar... porque sou parva, porque o capitão não me viu, e pensou que só tivesse um reserva, eu é que me cheguei a frente, e na minha vozinha grite, estou aqui eu... e lá fui levantar a arma... e como tenho tanta sorte, calhou-me mesmo aquela que encrava... é que agora lembraram-se de voltar a fazer os procedimentos de segurança... o que vale é que o aspirante (não sei quem é, nunca o tinha visto), pegou na minha arma para fazer os procedimentos e eu fiquei a olhar... fiquei a ver enquanto ele batia com a arma no chão para puxar a culatra atrás, foi giro... mas faltavas lá tu para gozar... ou no treino, se lá estivesses, tínhamos rido tanto... o comandante da esquadra de pessoal já não é aquela anta que nos lixou no ano passado quando concorremos à academia... não houve tanta complicação... só que quem estava com o guião do que se vai passar no dia da cerimónia estava um pouco atrapalhado, acho que o homem deve ser disfónico, ou qualquer coisa parecida... se bem que não era mal pensado que fosse ele e não o capelão a fazer a benção dos brevês.. "ter asas... voar... poder mais perto de Deus...", esta parte eu ainda oiço, depois começo a sonhar com a praia, ou com a minha cama, ou qualquer coisa do género para me esquecer das dores que já tenho nos joelhos... enfim... pode ser que ainda me escape e fique mesmo só como reserva porque hoje houve muito pessoal dispensado por causa de ter ido dar sangue... eu como peso menos de 50 Kg, não posso... enfim... faltas-te lá tu, mais uma vez tive a confirmação de que esta base está muito mais vazia sem ti.
Mas pensei em ti, e lembrei-me que não me podia ir embora sem ir ver se tinhas conseguido entrar para a academia ou não... Mana! Quase que me vieram as lágrimas aos olhos quando vi lá o teu nome, ainda por cima para TMAEQ, é que não só entraste, como também entraste para a unica vaga que havia para a tua especialidade... não imaginas o que fico feliz por ti! Depois da tua vida ter sofrido uma derrocada, tudo acaba por se compor... é uma vitória merecida mana... e a Força Aérea fica a ganhar, sem sombra de dúvidas... e tu, olha... ganhas mais uma licenciatura... fiquei com pena de apesar de todos os meus esforços, não ter sido a primeira a dar-te a notícia... ainda tive esperança quando cheguei ao pé do telemóvel depois de ter entregue a arma e vi a tua mensagem desesperada, por não saberes nada! Depois não atendias, assim que vi que tinhas entrado fui a correr até ao carro, corri o mais depressa que pude, para te contar, para te dizer... Ambas sabemos que agora vai ser complicado, tens três anos de trabalho árduo pela frente, mas tu nunca te assustaste com o trabalho... Tenho pena de não te acompanhar nessa tua nova etapa... mas há alturas em que temos de fazer opções...não sei se me arrependerei um dia, mas neste momento, apesar de o meu futuro estar um pouco desfocado, sei que não é continuar a vestir uma farda que eu quero... estou cansada destas botas... estou cansada, e já não sei responder "sim senhor"... ja refilo por tudo e por nada, já tudo nestas pessoas, nesta instituição me irrita... no ano passado estava mentalizada para tudo isso... estava a fugir... mas agora... agora não tenho mais porque fugir!
Estou feliz por ti mana, e sempre acreditei que conseguias, ainda ontem te disse que era futura cadete! Porque é que tu nunca ligas ao que te digo?
Adoro-te irmã! Força e coragem... sabes que estou aqui quando te quiseres queixar da academia, ou deste ou daquele instrutor! Boa Sorte!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Amanhecer...

Abro os olhos na manhã incerta, na incerteza do amanhã... olho demasiado em frente à procura de respostas que quero já, e esqueço-me de olhar a minha volta, esqueço-me do presente... do meu presente... olho para todos os lados menos para o que me segura os pés firmes em terra sólida... perco-me num rodopiar de pensamentos, rascunhos de planos mal definidos, cego perante a vastidão de pontos de interrogação... e sinto-me só, quando na verdade não estou... quando na verdade não sou! O que seria de mim se não houvesse quem me encontrasse? Se não houvesse quem me arrancasse aos momentos de sofreguidão por certezas? Se não houvesse quem me dissesse: "vai correr tudo bem"? Quem seria eu se me tivesse já perdido no meio de tantas perguntas que insisto em fazer? Parece que nada nunca é suficiente, não paro! Constantemente insatisfeita, constantemente a procura de respostas... e acabo por descurar o que é realmente importante... Perdoa-me!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Para ti



A chuva cai em teu olhar, como se apenas em ti pudesse chover... palavras gastas... também é apenas o que tenho para te dar e quem me dera ter mais... quem me dera poder pegar-te na mão e levar-te aquele sitio da tua alma em que possas finalmente dormir... quem me dera ser um anjo para ti, para poder tocar-te e com meu toque arrancar de ti toda a dor que reside em teu coração... admiro-te irmã... ninguém que eu conheça aguenta tanto de uma vez como tu... poderás dizer-me que te sentes fraca e que não aguentas, mas o que eu vejo é uma mulher que pensa que caiu mas que se mantém de pé e a lutar contra a vaga de catástrofes naturais com que foi assolada de uma vez só... quem me dera... poder pegar-te na mão e trepar contigo esta montanha íngreme... quem me dera que o facto de eu sentir dor pela tua dor te aliviasse o fardo que carregas ao ombros... o peso do mundo... Queria poder curar o teu pai, estalar os dedos e fazer com que o tempo passasse para que pudesses curar as tuas feridas do coração e para te arrancar a esse suplício para onde as tuas escolhas profissionais te lançaram... queria poder ser para ti o que foste e és para mim, queria não ter estado de serviço no sábado... teria ido ter contigo sem pensar duas vezes... (nao garanto que ainda tivesse chegado no sábado... já conheces o meu sentido de orientação) mas teria feito tudo para aliviar essa tua cruz, nem que fosse apenas por momentos...
Olho para trás... tempos idos que não voltam.. Lembras-te deste dia?
Os teus 23 anos... há quanto tempo? Não me lembro se és mais nova que eu um ou dois anos, portanto, ou foi há 2 ou 3 anos... parece que foi noutra vida... recordo com saudade de dias como este e enchem-se meus olhos de lágrimas quando me apercebo que foram dias que não voltam mais e que as nossas vidas seguiram caminhos separados... dói-me porque sei que não poderás ligar-me para ir ter contigo só para chorares no meu ombro... da mesma forma que também eu não o poderei fazer... dói-me que neste momento não o possas fazer porque sei que onde estás, ninguém te compreende como eu te compreendo. Queria... queria poder pegar-te na mão, agora que estás meio cega, meio perdida, e guiar-te através dessa escuridão que te rodeia... guiar-te até te trazer um pouco de luz, um pouco de paz... até poderes acreditar...
Adoro-te mana! Nunca estarás sozinha... de mãos dadas...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um dia qualquer em 1995














É como se eu não fosse de cá
Tivesse nascido do nada
Num universo longínquo
Sem estrelas, sem sol...
Apenas um planeta gigante
Que nem sequer é redondo
E tudo o que nele existe
São cores mortas, cores tristes!
Onde não existem árvores
Nem mar, ném pássaros...
E que eu tivesse nascido nele
Por ele ser inútil
Para eu ser inutil também...
Esse planeta
Onde sinto que nasci
E que nao existe, mas existe
Porque é nele que vivo
E ele vive em mim...
Porque alguém lhe dá vida,
Alguém deu vida à sua morte
Que é apenas a realidade de alguém.
Onde as palavras, que não existem,
Se contradizem mutuamente, sem falar
E que parece que está longe
Mas não está!
Está mesmo aqui
E é nele que vivo.
É complicado perceber
Mas é uma simples questão
E não é só uma mão
Uma simples mão
Que escreve esta infinidade
De palavras sem sentido
É um coração sozinho, perdido!
Abandonado num planta plano
Sem contos de fadas
Sem uma história para contar
De geração em geração
Porque isso é coisa que nem sequer existe...
Um planeta onde não existe cor,
Nem luz!...
Existe apenas...
... apenas...
... apenas a monotonia da escuridão!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

As lágrimas que caem de meus olhos secarão... o caminho tornar-se-á escuridão novamente e perder-me-ei... agarrada a sonhos destroçados, a porquês sem resposta... continuo um caminho que não é meu, porque já nem sequer caminho é... perco-me novamente... alguma vez me encontrei? E olho para trás e não vejo, não sinto... não sou de verdade... Sou sombra que vagueia por um mundo onde nunca pertenceu, para que cá vim? O que faço aqui? Permaneço ainda sem assumir uma derrota, braços cansados, caídos mas ainda empunhando armas porque não me dou por vencida! Sabia que teria de ser assim... sabia, sempre soube que tenho de lutar por mim... e por ti! Tenho de lutar pela minha sanidade... e pela tua... Sofrega carrego o peso de duas cruzes... não me queixo, apenas não consigo conter as lágrimas de dor! Procurarei sempre uma saída... tu sabes que sim.... não te percas como um dia estive perdida... não terás força para te encontrares sozinho... eu não tive!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mana

Estou aqui, embora às vezes não pareça... estou aqui mana, para ti como estás para mim... perdemos-nos as duas em sincronia e encontramos-nos também uma na outra... a vida tem sido demasiado cruel com as duas... ao menos isso temos em comum... estou constantemente a precisar da tua serenidade, estás constantemente a precisar do meu colo, pensamos as duas que estamos constantemente a seguir caminhos errados, mas até um relógio parado está certo duas vezes por dia. Preciso do teu abraço, não sabes a falta que me fazes... Os nossos caminhos cruzaram-se um dia, em Vila Franca... a 11 de Maio de 2003, o dia antes de eu entrar para a recruta... e partiste agora, sei que não me deixas sozinha, da mesma maneira que não partes sozinha, mas falta-me a tua presença, porque às vezes sinto que me vou perder tanto ou mais do que já estive, e foste tu quem me agarrou a ponta dos dedos quando eu já ia em queda no abismo, e vivo constantemente no limiar de cair... Sei que também não estás bem, sei que tens os problemas todos da tua família, depois a vida que escolheste para ti não tem sido fácil, sabias que não ia ser, mas uma coisa é saber, a outra é viver... e por momentos gostava de ter concorrido também, de ter entrado para te acompanhar... Não sabes o que me doeu a mensagem que me mandaste há bocado a dizer que tinhas pena de eu não concorrer ao CBT para irmos juntas... pode ser que agora consigas, eu acredito que consegues, ninguém pode ter tanto azar duas vezes... acho que fui eu que te dei azar, eu por mim já tenho de sobra portanto, às vezes partilho sem querer (risos)... ao menos o 18 a Matemática sempre me serviu para ir para a faculdade, embora ainda não consiga ver de que maneira é que isso foi benéfico para mim... Estou com um discurso um bocado desconexo...já sabes como sou... tenho saudades tuas mana... e não te esqueças que ainda cá tens de vir buscar a biciclete...
Gostava de ter também uma foto nossa, mas todas as que tiramos foram com a tua máquina e tu nunca mas passaste. :b

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

12 de Maio de 2002

Jazem-me aos pés
As luzes desmaiadas
Aquelas que brilhavam outrora
E agora se escondem, se apagam
Me envolvem em intensa escuridão
Sangram na noite
Cantando suavemente
A dor e a angústia que as envolve
Dizem-me adeus tristemente
A partem lentamente
Cada vez mais desvanecidas
Elas eram duras, as luzes
Mas sentem-se enfraquecidas
E enfrentam a solidão
Com uma expressão serena no olhar
Tentando não chorar
Largando-me suavemente
Afastando-se severamente
E nunca mais vão voltar!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Olho à minha volta e já não me revejo nas minhas palavras, momentos vazios... Páro, escuto e olho mas não consigo encontrar... eu não procuro respostas porque sei que nunca as terei, procuro uma saida de mim... não quero regressar ao meu tumulo, não quero enterrar sonhos que sonhei... estou sempre acordada... nao quero deixar de ser a menina que tem ilusões e que consegue sempre passar por cima das desilusões e dar mais um passo em frente, mesmo sem saber para onde vai... Grito de revolta e raiva comigo mesma porque pensei que não voltaria a morrer e não sei se fui eu que me matei ou o mundo, não sei se ainda há esperança de eu voltar a respirar ou se é apenas a minha alma que ainda vagueia por cima do meu corpo e tem medo de partir...

Quero gritar, quebrar as correntes que me prendem, o gelo que se acumula em meu coração e não me deixa sentir, nem que seja dor! Não quero ser assim... fria, insensível... não quero ser este não eu que voltou e não quer partir... Não quero mas não consigo...